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Um sonho

À primeira vista, tudo era branco. Aos poucos as almofadas vermelhas foram entrando em foco, assim como os rostos de pessoas conhecidas. Todos sentados no chão, pés descalços sobre tapetes macios.

Um senhor se aproximou, atraindo olhares para si. Vestia-se totalmente de branco. O rosto, marcado de rugas, era sério. Nas mãos, uma caixa feita de dobraduras de papel dourado.

Suas palavras se perderam na memória, mas falava sobre algo que estava dentro da caixa, e tudo que sentiam era uma paz indescritível. E parecia brilhar.

Aproximou-se, em passos lentos e descalços, de cada um no ambiente. Os olhos claros fitavam a pessoa enquanto a dobradura era colocada sobre suas mãos. Felicidade, inundando o corpo e transbordando pelos olhos.

Até colocar nas mãos daquele homem, que se misturava tão bem com os outros. O papel começou a se desdobrar no ar, desmanchando a caixa.

Todos olharam surpresos.

O velho sorriu.

Eu acordei sorrindo também.

O assunto favorito da maioria

Eu acho um absurdo como as pessoas gastam tempo falando mal das outras, muitas vezes por coisas sem sentido algum.

Podem duvidar o quanto quiserem, mas eu não falo mal gratuitamente. Não vou perder meu tempo falando de alguém apenas por ser diferente.

O problema é que esse é o esporte favorito de todos.

O que muda se ele fala de outra forma? O que muda se ele pensa outra coisa? Se todos se respeitassem, todas as diferenças poderiam existir ao mesmo tempo, mas sempre cada um quer mostrar que seu modo de pensar é melhor.

E no fim, tudo isso não significa nada e não vai para lugar nenhum. Ninguém vai mudar seu modo de pensar por alguma discussão sobre política ou religião. “Oh, me falaram que Deus existe, então acho que vou acreditar”.

Não entendo, realmente, o prazer que as pessoas sentem falando de outros. Como podem gostar se é tão ruim quando descobre que falam de você? E se transforma naquele joguinho infantil de que se o outro falou mal, eu falo mal dele também.

Portanto, eu normalmente fico na minha, esperando o próximo assunto – costuma demorar.

Sobre mangás e relacionamentos

Arrumando meu quarto encontrei uma pilha de mangás que até já perdi a conta de quantas vezes li. Comprei na Bienal do Livro de São Paulo em 2002, no auge da minha fase japonesa. A coleção inteira por menos de cinqüenta reais, praticamente dado.

A história se chama Sakura Card Captors, do Clamp – talvez as garotas mais novas se lembrem do desenho que passava na Globo. Conta sobre uma garota de dez anos que, por acidente, espalha cartas mágicas por sua cidade e tem que capturá-las.

É muito fofo.

O enredo não vai muito além da busca das cartas, algumas intrigas e coisas do tipo, mas o que realmente chama atenção são os relacionamentos entre os personagem. No anime muita coisa foi suavizada, mas nos mangás fica óbvio.

A melhor amiga de Sakura, Tomoyo Daidouji, é apaixonada por ela. Muito mais madura que Sakura, tem um modo incrível de encarar esses sentimentos; entende quão difícil seria para as duas ficarem juntas, e mesmo de Sakura entender seus sentimentos, e então fica feliz apenas em ver a felicidade da outra.

Já o irmão de Sakura, Touya Kinomoto, tem um relacionamento sugerido com seu melhor amigo Yukito Tsukishiro. Nada é confirmado, mas as cenas de proximidade e intimidade entre os dois dão a entender.

Além disso há a colega de classe, Rika Sasaki, que mesmo com apenas onze anos é noiva do professor deles, Yoshiyuki Terada.

O mangá é lindo, mostrando os relacionamentos com uma delicadeza incrível para as crianças.

Quero vender, mas ainda me falta coragem. Acho que vou ler uma vez mais.

Clarisse abriu os olhos e respirou fundo. A paisagem ao seu redor se tingia em matizes esverdeadas. O vento lhe arrastava a sanidade pelos fios de cabelo. Respirou fundo outra vez, rodando o isqueiro prateado entre os dedos.

Subiu até lá com outro nome, mas agora era Clarisse e nada mais importava. Vozes distantes se misturavam aos carros da cidade lá embaixo.

Ainda existia a conversa. Celular e fotografias. Mordeu o lábio, arrumando os óculos escuros. O corpo deitou para trás, cabelos se esparramando pela grama. Folhas secas.

Falar sobre aquilo machucava. Sobre algo que ela mesma não conseguia entender. E se sentia tão idiota por isso; em como se deixava afetar por algo incompreensível. Não conseguia nem ao menos formar palavras.

Postes acendendo, pouco a pouco. Vida continuando no pé do morro, esmagando tudo que sentia. Óculos escuros guardados, mãos deslizando pelo cabelo mostrando nervosismo.

E dedos entrelaçados, aquelas palavras sussurradas e o medo escorregou, sendo absorvido pela terra. E, então, não fazia mais sentido ser Clarisse.

Passado

Eu
Meu irmão queria que eu fosse menino.

Myoats

Confesso, eu tenho um novo vício.

Em um dia de tédio extremo, buscando em todas as comunidades do orkut algo para fazer, encontrei na EJEF mais um site genial.

O Myoats é uma tela de desenho, com várias opções interessantes. O grande lance é a habilidade de criar com o que o site te dá. Você tem apenas uma cor e suas opacidades, poucas ferramentas de desenho e como espelhar a imagem dezenas de vezes.

Tem como colocar a imagem, automaticamente, no seu plano de fundo do computador ou iPhone; salvar o desenho com fundo transparente em duas resoluções; ou mandar para o arquivo do site.

No arquivo do site que começa a ficar ainda mais divertido. Todos os seus trabalhos ficam expostos no seu perfil, onde os outros artistas podem dizer qual são os favoritos, comentar e até adicionar como amigo.

Os desenhos no site são diversos, desde mais simples flocos de neve até imagens incríveis feitas com jogo de luz e sombra.

É um belo site para se distrair desenhando ou vendo os trabalhos expostos.

Alguns dos meus desenhos:
Laranja Mecânica
V de Vingança
Cantando na Chuva
Embalos de Sábado à Noite
E meu perfil.

Pelo Brasil: Monte Verde

Escondida no meio das montanhas, vários quilômetros em estradas de terra para atravessar, há uma cidade que parece estar em outra dimensão. Nem cidade é, e sim um distrito.

Chegamos em um dia que o céu parecia prestes a desabar a qualquer minuto. Depois de uma boa hora de sustos rodando no barro, uma cidadezinha surgiu diante de nós. O portal já sugeria o que iriamos encontrar.

Depois de passarmos por algumas pousadas (e outras dezenas viriam depois), chegamos ao centro. Rua toda de paralelepípedos, casinhas com estilo europeu, vários restaurantes. E, imagino que por culpa do tempo e do fim das férias, tranqüila para passear.

Andamos um bom tempo nos distraindo com as várias lojas. Chocolates, velas, roupas. Compramos presentes para amigos e lembranças para nós. A clássica camiseta com o nome da cidade, um shot glass (aquele copo pequenino, feito para uma dose) e sabonetes em formatos diferentes, sem contar uma dezena de pequenas estátuas de metal.

Durante todo o final de semana fomos em três restaurantes: um de comida italiana, um rodízio de fondue e um com o mais delicioso filé au poivre que já comi. Lugares incríveis, pena que não tivemos mais tempo para provar outras opções.

Cervejas diferenciadas servidas em bares na rua. Um clima que as cidades turisticas deveriam investir.

Monte Verde seria, para mim, uma mistura de Gramado e Visconde de Mauá; o estilo europeu da primeira e ser uma cidade pequenina, no meio do nada, como a segunda. Uma combinação genial. Voltarei, com certeza.



Elevadores e berços

Hoje tive, esfregando em meu rosto e em questão de minutos, duas das coisas que mais me incomodam nas pessoas. São poucas atitudes que realmente me decepcionam sobre o outro, e é incrível como podemos estar cercados delas.

A primeira é a falta de educação, de respeito pelo próximo. É o mínimo, pelo menos ao meu ver. Não consigo entender como alguém pode conseguir desrespeitar outra pessoa apenas por desrespeitar. Isso é coisa de berço, como diz minha mãe.

Cheguei no meu prédio depois de duas meninas. Por causa do horário, várias vezes já nos encontramos, e sempre fiz questão de segurar o elevador para que elas entrassem. Hoje, por  segundos, elas estavam na frente. Eu consegui ver a porta do elevador fechar, e tive que esperar o outro descer do décimo.

Não entendo, realmente não consigo imaginar como alguém pode fazer isso. São segundos que não vão mudar nada na sua vida; é um sorriso, um cumprimento. Detalhes que são essenciais na maneira do outro te ver.

Outra coisa é a hipocrisia. É alguém passar horas criticando a atitude dos outros e fazer muito parecido. E ainda se sentir ofendido se alguém comenta sobre isso.

Não que eu seja santa e faça tudo certo, mas pensar no próximo é fundamental. Como você pode fazer algo que se incomoda quando outros estão fazendo? É como o velho “só faça para os outros aquilo que gostaria que fizessem para você”. Se todos seguissem isso seria tão mais fácil; não haveria falta de respeito, nem hipocrisia, nem mentiras, nem nada disso.

E, talvez assim, eu tivesse mais esperanças na convivência humana. Por enquanto continuo buscando um lugar onde tudo isso faça um pouco mais de sentido.

Pelo Brasil: Caxias do Sul

Saber exatamente o que mais me marcou em toda a viagem é algo complicado, mas posso afirmar que a Igreja de São Pelegrino, em Caxias do Sul, foi um tanto chocante. Não sou uma grande apreciadora de igrejas, por motivos diversos, e imaginei que fôssemos encontrar as mesmas pinturas clássicas, anjinhos e trombetas. Deparei-me com desenhos um tanto angustiantes.

As obras de Aldo Locatelli são diferentes de quaisquer outras que já vi, mais se assemelhando a histórias em quadrinhos do que obras sacras. No teto, o Juízo Final transborda cores e ação; quadrados em sépia ilustram o hino Dies irae, transmitindo sensações que passam do deslumbramento para o medo.


A igreja também possui diversas obras de arte incríveis, como a réplica da Pietà, de Michelangelo, recebida do Papa Paulo VI pelos cem anos da imigração italiana, em 1975. Do lado oposto do vestíbulo, uma cópia do Santo Sudário, outro presente de Roma.

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As portas são um espetáculo por si só. Feitas de bronze, mostram cenas da imigração, ou ao menos assim contam os guias. Para mim, eram milhares de corpos entrelaçados, tão perturbadores quanto o resto.

Uma bela igreja, com lindas pinturas, única. Mas eu pensaria duas vezes em voltar.

Pelo Brasil: Gramado

E lá fui eu, equipada com várias roupas de frio e câmera fotográfica. Acordar de madrugada, avião atrasando, nervosismo, brincadeiras, risadas, primeiras vezes… Viagem com os melhores amigos que se poderia ter.

Chegamos em Porto Alegre no domingo passado, sendo recebidos pelo empolgado guia da CVC que nos acompanharia o resto da semana e que confessou ter gostado da gente logo de primeira – afinal, só devia ver velhos faz tempo. Senhores, senhoras, passageiros, passageiras E passageirinhos CVC era o seu bordão, nos inundando com o sotaque gaúcho desde que pisamos no estado.

O frio, por fim, foi uma mentira, ao menos na semana em que passamos lá. Não fez muito mais frio do que a cidade em que moramos, e usei apenas metade das roupas que levei. Parece que é sempre assim, sempre faltam e sobram coisas.

Mas, para compensar o desânimo que foi a falta de frio, o povo era simplesmente maravilhoso. Imagino que por ser uma cidade turística, todos aprendem a tratar uns aos outros impecavelmente bem. Depois do meu quase atropelamento em Belo Horizonte, ver os carros pararem para nos deixar atravessar a rua foi surpreendente.

Muito vinho, muito chocolate, muita comida e música italiana. Passeios incríveis e lugares maravilhosos. É impossível resumir toda a viagem em alguns parágrafos, então prometo postar algumas fotos.

Só de uma coisa eu tenho certeza: bah, que cidade tri legal.


Lago Negro – Gramado

Lago Negro – Gramado

Lago Negro – Gramado

Cascata do Caracol – Canela

Cascata do Caracol – Canela

Bento Gonçalves

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