Clarisse abriu os olhos e respirou fundo. A paisagem ao seu redor se tingia em matizes esverdeadas. O vento lhe arrastava a sanidade pelos fios de cabelo. Respirou fundo outra vez, rodando o isqueiro prateado entre os dedos.
Subiu até lá com outro nome, mas agora era Clarisse e nada mais importava. Vozes distantes se misturavam aos carros da cidade lá embaixo.
Ainda existia a conversa. Celular e fotografias. Mordeu o lábio, arrumando os óculos escuros. O corpo deitou para trás, cabelos se esparramando pela grama. Folhas secas.
Falar sobre aquilo machucava. Sobre algo que ela mesma não conseguia entender. E se sentia tão idiota por isso; em como se deixava afetar por algo incompreensível. Não conseguia nem ao menos formar palavras.
Postes acendendo, pouco a pouco. Vida continuando no pé do morro, esmagando tudo que sentia. Óculos escuros guardados, mãos deslizando pelo cabelo mostrando nervosismo.
E dedos entrelaçados, aquelas palavras sussurradas e o medo escorregou, sendo absorvido pela terra. E, então, não fazia mais sentido ser Clarisse.