À primeira vista, tudo era branco. Aos poucos as almofadas vermelhas foram entrando em foco, assim como os rostos de pessoas conhecidas. Todos sentados no chão, pés descalços sobre tapetes macios.
Um senhor se aproximou, atraindo olhares para si. Vestia-se totalmente de branco. O rosto, marcado de rugas, era sério. Nas mãos, uma caixa feita de dobraduras de papel dourado.
Suas palavras se perderam na memória, mas falava sobre algo que estava dentro da caixa, e tudo que sentiam era uma paz indescritível. E parecia brilhar.
Aproximou-se, em passos lentos e descalços, de cada um no ambiente. Os olhos claros fitavam a pessoa enquanto a dobradura era colocada sobre suas mãos. Felicidade, inundando o corpo e transbordando pelos olhos.
Até colocar nas mãos daquele homem, que se misturava tão bem com os outros. O papel começou a se desdobrar no ar, desmanchando a caixa.
Todos olharam surpresos.
O velho sorriu.
—
Eu acordei sorrindo também.
e eu também sorri. *-*
aeaeae.
e eu tava no sonho.
aeaeae. [2]
e o thi é foda e o velho também.
aeaeae. [3]
tá.
<3
“O homem velho deixa a vida e morte para trás
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais
A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol
As linhas do destino nas mãos a mão apagou
Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock’n’roll
As coisas migram e ele serve de farol
A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve traz o olor fulgaz
Do sexo das meninas
Luz fria, seus cabelos têm tristeza de néon
Belezas, dores e alegrias passam sem um som
Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron
E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom
Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal”
(Caetano)