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Reencontros

Escrevi agora. Qualquer semelhança com o filme Closer não é mera coincidência.

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Reencontros

Voltou ao país após cinco anos longe. Seus planos sempre foram indefinidos, mas não imaginava que passaria tanto tempo sem andar pelas ruas de sua cidade. O cinza da paisagem continuava o mesmo, assim como as tantas pessoas que andavam ao seu redor. Os passos eram lentos, enquanto os olhos corriam por tudo, tentando encontrar diferenças e semelhanças com aquela mesma cidade de anos atrás.

O sol se escondera há um bom tempo. Ele afundou as mãos na jaqueta que vestia, pressionando-a contra o corpo, tentando conseguir algum calor do tecido para agüentar o vento gelado, que já conhecia bem.

Antes que percebesse, estava na porta de um dos lugares que costumava freqüentar. O nome, antes em uma placa, estava escrito em néon roxo. O segurança parado na frente não era nenhum dos que conhecia; imaginou por alguns instantes para onde a vida os havia levado. Aproximou-se, acenando com a cabeça para o homem ali parado, e desceu as escadas vermelhas.

O lugar estava diferente, indicando que houvera muitas reformas no tempo que esteve longe. O bar, agora no lado direito do local, foi seu primeiro destino. E, somente quando já possuía sua cerveja em mãos, girou o corpo para observar o resto do salão.

Pequenos palcos eram rodeados por mesas. Em cada palco, uma bela dançarina com roupas mínimas se apresentava. Em cada mesa, algum homem, das mais diversas idades, se entorpecia com cada movimento de quadris. A música, ensurdecedora, embalava a todos no clima de sensualidade.

Foi apenas depois de algum tempo que notou algo de familiar em uma das dançarinas. Com a garrafa de cerveja em uma mão e o copo na outra, se aproximou de um dos palcos laterais. A pele incrivelmente clara da jovem brilhava com as luzes coloridas do lugar. Cobria-se com apenas um conjunto que parecia ser de couro, finas correntes fazendo barulho a cada movimento.

Não sabia exatamente de onde a conhecia; imaginou que fosse alguma dançarina antiga, mas não parecia ter mais que vinte e poucos anos de idade. Mas, ao final de uma das voltas da jovem, os olhos se encontraram. Bastaram apenas alguns segundos para se reconhecerem.

O que tiveram, que estava longe de poder ser definido como namoro, durou um ano antes de ele ir embora. Mantiveram contato por algum tempo, mas a distância tornou a amizade fria. Não se falavam há uns quatro anos. Mas se reconheceram, e ela esboçou um sorriso nos lábios maquiados antes de continuar seus movimentos.

E ele apenas observou. Percebeu como a menina se tornara mulher, e como potencializara seus poderes de sedução. Lembrou das diversas noites anos antes, dos beijos incansáveis, das unhas marcando sua pele. Seguiu cada curva com os olhos, excitado com o reencontro.

Sentou então em uma cadeira, prestando atenção em cada movimento. Recebia olhares e sorrisos constantes; ela dançava para ele. Cada balançar de quadril, cada vez que a mão deslizava pelo próprio corpo, cada entrelaçar dos dedos no longo cabelo ruivo, cada respiração era para ele.

Mas, antes que o seu horário terminasse, ele havia ido embora. Não havia feito ou falado nada além do aceno de cabeça para a garota. Ela não pôde evitar a decepção, mas um sorriso surgiu em seus lábios em seguida. Sabia que ele voltaria, o jogo estava apenas começando.

De fato, parece ser uma cidade ótima para morar. Tirando que as pessoas não sabem dirigir, são absurdamente simpáticas. E existe uma confiança no outro que é estranha para qualquer um que não seja da cidade. Creio que nem na minha cidadezinha do interior eu possa pagar depois de comer em um self-service de praça de alimentação. O cara não tinha nada comprovando que eu ia voltar, apenas meu nome.

Belo Horizonte é adorável, com ruas largas, ótimos restaurantes, lojas interessantes e uma cafeteria a cada esquina.

Sem contar que, com seu relevo parecido com uma batata Ruffles (como diz meu irmão), temos vistas maravilhosas da cidade a cada montanha que subimos.

Mas confesso que adorei voltar para casa. Nada melhor do que sua cama, seu travesseiro e seu banheiro.

Semana que vem já viajo de novo. Desfazer malas para arrumar tudo novamente.

Hoje cheguei a uma conclusão: o pessoal daqui não sabe dirigir (perdão se for de Belo Horizonte, mas é um fato). Ninguém sabe o que é dar seta antes de virar a esquina, e as pessoas atravessam as ruas sem se importar com isso; em uma volta de algumas horas, vi umas três situações que por pura sorte não foram acidentes. Sem contar que dirigem como se em uma perseguição policial, descem as ladeiras em uma velocidade absurda.

Tirando esses fatos – e que eu mesma quase fui atropelada, estando na calçada -, o dia foi delicioso. Acordar tarde, almoçar, trocar de roupa e ir pra rua. Meu pai tem um apartamento incrível, pertinho da Savassi. Apenas algumas quadras e pronto: várias lojinhas, livrarias, cafés, e milhares de pessoas para observar.

Ainda não experimentei o pão de queijo, um lapso, mas estou esperando aquele que prometem ser o melhor da cidade.

Conheci então o Pátio Savassi, uma belezinha de shopping, com direito a TGI Friday’s e Häagen-Dazs. Chegamos no cinema alguns minutos antes da sessão de um dos filmes que queríamos ver, Fim dos Tempos, do M. Night Shyamalan.

Agora mudo um pouco o assunto do tópico para falar do filme. O Rotten Tomatoes critica, mas eu acredito que é outra obra incrível do diretor/produtor/escritor de Sexto Sentido, A Vila e Sinais. Depois do fracasso de A Dama na Água, foi uma ótima recuperação, com um roteiro envolvente até o fim.

Quero fazer uma ligação entre o Fim dos Tempos e Eu sou a Lenda (Francis Lawrence). Sem dar spoiler de nenhum dos dois filmes, apenas quero comentar como um me fez lembrar o outro, no sentido de que os homens serão aqueles que vão destruir os homens.

Estou com sono, sentindo falta de pessoas, um tanto carente, então não acredito que consiguirei terminar o post de maneira bonitinha.

Beijo.

Minha primeira visão da cidade foi do avião, poucos minutos depois do piloto anunciar que estávamos começando a descer. Uma cidade enorme, no meio de uma floresta infinita. As outras cidadezinhas próximas quase sumiam perante ao tamanho de Belo Horizonte.

Aeroporto bonitinho, demora para pegar as malas, pagar o estacionamento e enfrentar mais um tanto de estrada. Meu pai foi falando durante todo o caminho as vantagens de morar aqui. Ele insiste, mesmo, que eu venha fazer alguma faculdade perto dele. Antes eu achava que não iria me interessar, mas aos poucos, conhecendo a cidade, estou até começando a pensar na possibilidade.

As ruas são realmente retas e bem largas. Há muitas árvores e um povo simpático que contagia. Não comi pão de queijo ainda, mas já prometeram me levar para comer o melhor da cidade. Estou só indo para minha segunda noite aqui, então nem posso contar muita coisa.

Fomos em um lugar maravilhoso: o Mirante das Mangabeiras. Vista incrível da cidade por um lado, e uma imensidão verde pelo outro. Me encanto absurdamente por paisagens, e senti não estar com a minha câmera para registrar tudo.

Por enquanto foi só isso, a viagem ainda está no comecinho. Estamos programando passeios pela cidade na semana, e Ouro Preto no próximo sábado.

Depois volto com mais detalhes.

Beijos.

Meu pedaço de outono

Outono
“A primavera é linda, cheia de cores, cios e odores. Mas não me comove. Não encontro nela lugar para a saudade. Por isso lhe falta aquela gota de tristeza que mora em toda obra de arte. É que ela existe na paradisíaca inconsciência do fim… O verão é diferente. Excita meu lado de fora, e me transforma em sol, céu, mar. Misturo-me com seu universo luminoso, quente e suarento, cheio de cachoeiras e limonadas geladas. Tudo me convida a não pensar. A só rir, gozar, usufruir. (…) Mas o outono me chama de volta. Devolve-me à minha verdade. Sinto então a dor bonita da nostalgia, pedaço de mim, de que não posso me esquecer. (…) O céu, azul profundo, as árvores e grama de um outro verde, misturados com o dourado dos raios de sol inclinados. Tudo fica mais pungente ao cair da tarde, pelo frio, pelo crepúsculo, o que revela o parentesco entre o outono e o entardecer. O outono é o ano que entardece.”

- Ostra feliz não faz pérola – Rubem Alves

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Viajo na sexta-feira. Nunca tive tanta incerteza para viajar desse jeito. Tanta coisa me faz querer ir, mas tanto me segura onde estou. É um tanto estranho, mas, pela primeira vez em um bom tempo, eu quero ficar em casa.

Amo viajar, amo conhecer lugares novos, amo restaurantes e shoppings. Só que parece que o que preciso no momento é minha casa, meus amigos, abraços e a certeza que vai ficar tudo bem.

Perdão pelo momento sentimental, mesmo.

Eu sofro um grande preconceito com a minha família: mesmo sendo um fato que livros são os melhores presentes para mim, ganho muito pouco, já que leio muito rápido. Minha mãe cansou de comprar livros, disse que não consegue acompanhar o meu ritmo.

O último que ganhei foi A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón. Terminei em uns três dias.

E como os livros da biblioteca provocam uma alergia incontrolável (minhas mãos ficam vermelhas e inchadas, sem contar os espirros sem fim), busquei alguma leitura no armário do escritório de casa.

Foi então que encontrei o livro tema deste post: O Assassino e a Musa, de Roa Lynn. Escolhi pela capa – tão bonita e colorida -, e logo vi que havia escolhido certo.

Americana, Roa Lynn se apaixonou pelo Brasil, nos dando uma versão incrível do nosso país pelos olhos de um estrangeiro.

O Assassino e a Musa é a história de uma mulher de Boston em um Rio de Janeiro da década de 60. Mostra todas as reviravoltas políticas do mundo da época, e a visão poética que ela tinha do Rio.

Com uma narração incrível, ela pinta a Cidade Maravilhosa com suas belezas e defeitos. “O Rio é uma mulher sensual, confiante, apaixonadamente enamorada 24 horas por dia. A praia é sua morada” diz um homem de negócios assim que ela chega na cidade. E essa descrição é simplesmente encantadora aos meus olhos.

Ainda não terminei, e espero realmente não me decepcionar com o final, pois até agora está entre um dos melhores e mais envolventes livros que já li.

Eu recomendo.

“Sem esforço, a própria cidade estimulava a tristeza geral pelo fato de estar convidativamente enrodilhada em volta da baía azul-esverdeada como uma mulher lânguida encostada às nádegas do amante”.

O que te emociona?

Eu não choro em filmes. Certo, isso é uma mentira, mas com certeza vou chorar no filme que você menos espera.

Não me emociono com esses romances água-com-açúcar, que fazem todas as garotas chorarem os pulmões para fora. O mocinho pode morrer, ou o casal ficar junto e viver feliz para sempre, que não arrancam uma lágrima que seja dos meus olhos.

Sempre fui conhecida como insensível por isso. Não é minha culpa, apenas choro com coisas diferentes.

Alguns dias atrás, depois de ver O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei outra vez, e chorar no final, parei para pensar o que fazia eu me sentir daquela forma.

Busquei outros filmes nos quais me emocionei, e encontrei um fator em comum: a valorização do trabalho feito. Parece estranho, e nem eu mesma sei direito o porquê disso me tocar tanto.

Devo ter sido a única a chorar vendo Cirque du Soleil e O Fantasma da Ópera. Todos me olhavam como se eu fosse uma louca, mas ver aquelas centenas de pessoas aplaudindo de pé, não tem como não me colocar no lugar daqueles que estão no palco e trabalharam tanto para chegar naquele lugar.

E o mesmo se repetiu em alguns filmes. Por alguma sorte, ou mesmo coincidência, nunca foi com a presença de outra pessoa, o que tornaria a situação um tanto mais complicada de explicar.

Não há definição para a emoção que transborda da tela no final de A Corrente do Bem, e como ela consegue me acertar em cheio. Chorei todas as quatro vezes que assisti.

Tudo isso me levou a longos pensamentos de como somos tão diferentes, e coisas distintas nos tocam. Tenho uma amiga que chorou com um comercial de celular, enquanto eu assisti e nem me lembrei do mesmo alguns dias depois.

O mesmo livro, filme ou música atinge cada indivíduo de forma tão diferente que é imprevisível. E é toda essa complexidade da raça humana que me encanta, cada vez mais.

Vagando pela minha nova comunidade favorita no orkut, a DIY for Vixens, me deparei com um tópico que me deixou um tanto pasma por algum tempo. Olhei as fotos, fechei, abri outra vez, e ainda assim custei acreditar.

Sabe aquelas galochas que usavamos quando criança? (Eu tinha uma vermelha, combinando com minha capa de chuva, que nunca usei além do dia que ganhei). Então, estão super na moda.

Esse não é um blog falando de moda ou tendências, ainda mais que eu sou a última a seguir algo assim, mas precisava fazer um post sobre isso. Tudo bem, gosto é gosto, mas pagar absurdos por uma galocha que se compra por dez reais em uma loja de produtos de jardinagem me deixa um tanto indignada.

Que me desculpem se gostam, mas eu não consigo gostar.

Só estou esperando a moda pegar para eu poder me divertir ao ver mulheres desfilando com suas elegantérrimas galochas de grife.

Outra coisa que me deixa indignada com a moda: as botas que inundam as lojas nesse inverno. Ao me preparar para minha viagem, rodei por diversas lojas tentando encontrar alguma bota bonita, simples, de salto alto e bico fino.

Foi um raio de sol entre as nuvens quando encontrei. As botas atuais são absurdamente estranhas. Milhares de faixas, fivelas, franjas – e ainda aquelas solas inteiras plataforma, que deixa o pé feminino parecendo uma pata de animal.

A moda me deixa confusa muitas vezes. Como podem incentivar algo que apenas deixa raras excessões bonitas? A tal franja reta, sucesso com a Alinne Moraes na novela, só serve para deprimir milhares de garotas que se encantam, e depois vivem usando presilhas para esconder o estrago.

Gosto de estilo real, que deixe a mulher bonita, e não apenas uma cópia da protagonista da novela.

Meu conceito de amor

Por mais clichê que eu seja em alguns aspectos, eu não acredito no amor que pregam livros e filmes. Esse amor eterno e incondicional, que ultrapassa as mais diversas barreiras. O encontro com a outra parte do seu ser, a metade da laranja, tampa da panela e todas essas baboseiras (perdão se você acredita, eu não consigo).

Mas isso não quer dizer que não ame, apenas faço do meu jeito.

Amo como me faz sorrir, mesmo sem querer. Ou como somos tão iguais e tão diferentes. Como nossas mãos encaixam com perfeição, e apenas tê-lo por perto fico sem ar. E amo como podemos ser indivíduos independentes e aproveitarmos a companhia um do outro.

Como podem achar bom o pensamento de que somos apenas uma metade andando por aí? E, pensar assim, não torna infinitamente mais difícil seguir em frente após o final de uma relação?

Gosto de pensar que sou um ser completo, que encontrou em outro ser um ótimo motivo para sorrir.

E sei que não será eterno. E ter a consciência disso torna cada momento absurdamente mais importante. Cada sorriso, cada abraço, cada beijo, tudo guardado com muito carinho dentro de mim.

Os caminhos podem se tornar diferentes, interesses mudarem, outras pessoas aparecerem, mas todos os momentos especiais ficarão guardados, pra sempre.

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Se lembra quando a gente
chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
sem saber
que o pra sempre
sempre acaba

Por um bom tempo vivi em uma longa busca por músicas que não me lembrassem pessoas. Sempre me incomodou passar pela minha lista e cada uma delas puxar memórias de algum namoro que não deu certo ou uma amizade que terminou.

Pensando nisso, cansada de me afundar no passado, comecei a procurar bandas desconhecidas, que não dividiria com ninguém. Fato que não consigo guardar nada para mim, e acabei mostrando algumas das minhas descobertas para outros, mas elas se tornaram minhas. Meus tesouros, que não me lembram ninguém além de mim mesma.

O tempo passou, algumas coisas mudaram, e voltei a me afundar em músicas que me lembram tanto outra pessoa que quase consigo sentir sua presença ao meu lado. Isso é bom, não nego, mas tenho medo de quando deixar de ser. Quando ouvir essas bandas tiver apenas o gosto amargo da saudade.

Quero ouvir as músicas pelo que elas são. Apreciar sua letra e melodia, e não me perder em pensamentos. E, não adianta, sempre há alguma lembrança escondida entre os versos, apenas esperando para te inundar em um sentimento que nem ao menos lembrava existir.

Mas talvez essa seja uma parte que não tem como se livrar. Música é emoção, é algo que entra e se aloja dentro de cada um. E, talvez, eu tenha que aceitar que, algum dia, aquela que tanto me faz bem pode me trazer lágrimas.

E, assim, continuo na busca pelas minhas músicas, apenas minhas.

~

I wish to feel smaller
under your sheets.
I wish for the whole truth
every time you speak.
I’m thinkin’ about how you care half as much for me
While I watch you arrive, smoke cigarettes, sleep…

And I guess it doesn’t matter what I say or what I seem
You stuck what I felt for you in the pocket of your jeans
Ignoring me the morning after
isn’t enough
and I swear I’m gonna cry.
I’m sick of tryin’ to be tough.

And my blood won’t stick
To the confines of my veins.
And your heart
Is gonna tear mine away.

And I wish to feel smaller under your hands,
though you seem satisfied as you slip mine
down your pants.
And I’m thinkin’ about how you care half as much for me
While you lift up my shirt after asking politely.

A Wish – Gregory and the Hawk

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